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HOMILÉTICA

Homilética para Principiantes

Por: Pastor Tiago dos Santos Esteves

PREPARANDO-SE PARA PREGAR A PALAVRA

O preparo para a pregação da Palavra de Deus está para o pregador na proporção do preparo para a chegada de uma vida. Deve-se preparar para tudo nesta vida. Tudo mesmo. Inclusive para preparar sermões. Não se pode preparar sermão como se fosse preparar a massa de pão para se confeitar um bolo, mas é um ótimo exemplo a preparação de um bolo quando comparado à preparação de um sermão. Ambos possuem elementos distintivos, conjugados em momentos apropriados e utilizados com extremo cuidado. O pregador preparado para pregar é um vaso preparado para ser usado nas mãos de Deus. Requer preparo de toda sorte, principalmente espiritual, técnico, mental, cultural, moral, emocional, físico e psicológico. O preparo para pregar é um; o preparo do pregador antes de preparar sermões é outro. O preparo para escrever sermões é um; o preparo para entregar sermões é outro bem diferente. Há necessidade de se preparar para tudo em termos de pregação das verdades de Deus: o texto, o contexto, a aplicação, o tema, os tópicos, a disposição dos tópicos, a unidade e a organização das partes que compõe um sermão e outros detalhes da Homilética e da Hermenêutica.

O ponto que, a nosso ver, reveste-se de importância singular e capital é a distinção que devemos fazer entre o preparo do pregador antes de pregar e o preparo do sermão ou a elaboração do sermão que vai ser entregue. Ambos são importantes, porém, distintos. O pregador deve estar atento a ambos. Por fazerem parte do todo, deve o pregador nutrir-se da mais sincera atitude: aceitar ajuda.

SETE REQUISITOS NA ELABORAÇÃO E ENTREGA DE SERMÕES

1. Um pregador idôneo:

2. Um propósito definido;

3. Um bom arranjo;

4. Uma elaboração adequada;

5. Uma Comunicação persuasiva;

6. Uma mensagem bíblica;

7. Variedade de sermões.

(O Sermão Eficaz, D. J. Crane)

A PESSOA E A OBRA DO PREGADOR

Não são todas as pessoas que receberam de Deus o Dom de falar do evangelho da graça de Cristo. Todos, porém, são convidados a testemunhar da fé, testemunhar de Deus; pregar o evangelho através de um modo correto de viver. Uns pregam muito bem, porque dão sempre um bom testemunho. Outros pregam muito mal; porque dão péssimo testemunho; despregando, às vezes, tudo aquilo que pregaram através das palavras no púlpito. Para um pregador da Palavra de Deus consciente de sua responsabilidade no púlpito, suas palavras não são suficientes – precisa pregar também com a vida. Além disso, a missão de pregar o evangelho requer que este obreiro esteja completamente entregue aos cuidados de Deus e, para que seja canal das bênçãos de Deus necessita de outros requisitos tais como: boa dicção, conhecimentos gramaticais, precisão, concisão, ortografia, propriedade vocabular, habilidade no uso dos seus dons e eloqüência. Cuidemos de todos estes requisitos com extremo carinho e muita importância a todos. Vejamos a Eloqüência, que é a arte de falar bem. Não devemos confundir com Loquacidade, o defeito de falar muito ou o costume de falar rápido. Falar é agradável para quem fala, mas deve ser também agradável para quem ouve. Requer-se, portanto, que o pregador possua voz agradável, firme, audível, nítida. Ajuda muito na execução de um sermão uma voz: suave nas afirmações, firme nas indagações e acentuada nas exclamações. Precisa, também, de nitidez nas articulações e graciosidade nos gestos. Tudo isso pertence ao Estilo. A Eloqüência é uma arte e uma técnica. A Loquacidade é um vício e um defeito. Através da Eloqüência, fala-se o suficiente e se diz tudo. Através da Loquacidade, fala-se muito e não se diz nada. Para merecer o elogio de orador eloqüente, o pregador, com estilo, precisa agrupar verdades familiares, conhecidas e, com estas verdades desenvolver o seu sermão. O Doutor Broadus cita, nas páginas 11 e 12 de sua obra citada (e que aparecem desenvolvidas neste trabalho) quatro destas verdades: piedade, dons naturais, conhecimento e habilidade.

PIEDADE

A Piedade está relacionada com a pregação amorosa, cheia de compaixão. Quando o pregador se vê ou se coloca no lugar do ouvinte. Deve o pregador manter acesa a chama ardente do amor pelas almas perdidas, ou pela membresia, quase sempre carente e necessitada de edificação; deve ser notada ainda que o pregador esteja tendo do público a mais fria indiferença. Para ser piedoso o pregador necessita de carisma especial, de uma entrega total; assim será bem sucedido na entrega do seu sermão. Por outro lado, ele está autorizado por Deus a aguardar as bênçãos divinas oriundas do seu trabalho. A Piedade liga a alma do pregador à alma do ouvinte. É um elo entre o nós e Deus. “Eusebéia”, como os gregos dizem, é a ação amorosa ainda dentro da mente, caminhando em direção ao coração do necessitado. É o mesmo que misericórdia. Através da Piedade o nosso Deus sempre responde aos anseios e às necessidades dos seus servos. Lamentações 3.22,23. O pregador pode aguardar confiantemente na providência divina, pois sua vida deve ser um piedoso culto e sua prédica também. O pregador que não alcançar um alto padrão de piedade em sua vida e em seu discurso, jamais deveria subir ao púlpito para compartilhar o amor de Deus nos corações.

DONS NATURAIS

Os dons naturais são inerentes à capacidade do pregador. Além de pensar com clareza, nutrir sentimentos profundos pela clientela, expressar-se com naturalidade, deve o pregador trazer em sua bagagem física aptidões naturais que o ajudem na transmissão da mensagem de Deus aos corações do povo necessitado. Estas aptidões vêm lá de dentro do íntimo. Bem lá do seu interior vêm certos gestos, certas colocações, certo envolvimento que, na hora certa, produzirão ótimos resultados. Há expressões que o pregador fala naturalmente com energia, vigor, entusiasmo. São provenientes do estado de espírito em que se encontra o pregador naquele momento; ou, então, é uma dádiva, uma aptidão, nascida com ele; ou adquirida com o passar do tempo; às vezes enraizada na sua índole. São dons naturais do pregador. Há pregadores que possuem dons naturais e não percebem que os têm, até que sejam despertados por Deus. Um ou outro aspecto particular de sua vida, uma reação, uma oportunidade pode fazer despontar um dom natural; e pode ser uma bênção na vida deste pregador, em todos os dias do seu ministério. Outros, ainda, sabiam da existência destas aptidões, porém desconheciam a maneira de os desenvolver à causa santa; não possuíam a fórmula de os desenvolver. Estas capacitações, seus usos e tudo o que se relaciona a elas pertencem ao Espírito Santo de Deus. Deus, em Sua soberania e na Sua sabedoria infinita, opera tudo em todos, na hora que quer e da maneira que quer (1 Coríntios 12.11).

CONHECIMENTO

O conhecimento do pregador é o conjunto de realidades culturais e religiosas que concorrem para, com elas, derramar a luz do evangelho no coração dos homens. É toda realidade que seja do conhecimento do pregador, e que ele esteja em condições de utilizá-la na entrega do seu sermão. Há conhecimento de todo tipo e de toda monta. Há pregadores com grandes conhecimentos universitários e, outros, com grandes conhecimentos da vivência diária, sem, contudo, jamais ter freqüentado uma escola. Ambos podem usar os seus conhecimentos para desenvolver os seus sermões e, dentro dos limites de cada um, chegar aos mesmos resultados. Há conhecimentos relacionados à natureza; outros relacionados à vida. Uns relacionados à verdade científica e, muitos outros, à realidade que nos cerca. Há, não poderíamos nos esquecer, o conhecimento bíblico. O conhecimento de cada uma das partes da Bíblia Sagrada, suas particularidades geográficas, suas características lingüísticas, suas muitas partes figurativas e altamente simbólicas que devem ser do conhecimento do pregador. Deve conhecer o suficiente para esclarecer-se e ser esclarecido na Palavra de Deus em toda a sua extensão. Deve, no entanto, fugir do pedantismo e da arrogância. Somente Deus sabe todas as coisas (João 14.26).

HABILIDADE

A Habilidade é a maneira engenhosa e prática de administrar as palavras de uma frase, de uma idéia, de uma oração, de um tópico frasal, de um parágrafo, de um período ou de todo o sermão. Toda pregação é um conjunto inteligente composto de técnica e arte, mas o artista por excelência é Deus. O pregador, mesmo com toda a habilidade que possua, é um artista de segundo plano. É aquele que burila, com as palavras, com as construções frásicas, com o embelezamento do texto na concatenação das ideias, nas diversas ponderações. Toda prédica é uma arte. Por isso requer habilidade na sua idealização, na sua construção, na sua apresentação e na sua avaliação. Há pregadores aparentemente hábeis na disseminação da palavra ou no vocabulário; no entanto, seu sermão consiste apenas num palavrório esparso, num discurso desprovido de argumentações lógicas; desprovidos de comprovações. É um palrador e não um pregador da palavra. Falta-lhe a habilidade de costurar as palavras ou as idéias inteligentemente. Precisa buscar no “Alto”, as orientações dAquele que pode fornecer a verdadeira sabedoria. Ser Hábil é mais que saber usar sua imaginação na busca de captar a atenção dos ouvintes, de conduzir a mente dos espectadores, entrando num emaranhado de ponderações abstratas sem que de lá possa sair. O hábil pregador é um artista, mas limitado pelo Autor do universo. O artista que outorga estas habilidades é o Deus Onisciente. Estas verdades devem estar presentes na vida do arauto de Deus.

Vejamos alguns exemplos comparativos:

Um professor ao elaborar o seu plano de aula costuma levar horas e mais horas nos seus apontamentos, nas suas anotações, nas suas verificações, tendo o cuidado de revisar tudo antes de entrar em sala de aula. Da mesma forma, o médico, antes de entrar em seu consultório ou o juiz, antes de assumir sua cadeira no tribunal. Não pode e não deve ser diferente com o pregador da Palavra de Deus. A pregação é a mais importante das obras nas mãos do mais importante dos homens – o pregador da Palavra. Naquela hora, o pregador representa a presença do próprio Deus ali, sendo observado, ouvido, degustado e, às vezes imitado na íntegra, nas palavras, gestos, meneios de corpo e até mesmo na maneira de olhar. Não é para menos: é o momento em que vidas serão transformadas, pessoas serão arrancadas das garras do inimigo de nossas almas, pessoas serão edificadas espiritualmente e, que quase sempre, sairão dali para o ministério que Deus lhes confiou.

1. Preparo Espiritual

1.1 A Iluminação do Espírito Santo para a Transmissão da Mensagem de Deus

Como ponto de partida para o preparo do sermão, faremos uma pequena consideração a respeito da luz que o Espírito Santo lança na mente do pregador para a elaboração do sermão no qual este mesmo Espírito inserirá a mensagem. Esta iluminação não virá sem a lâmpada e sem o azeite. A Lâmpada é a Palavra (Salmos 119.105) e o azeite é o próprio Espírito Santo derramado na mente do pregador e na mente dos ouvintes, pela misericórdia de Deus. Este azeite é a unção necessária à pregação. Não basta a presença do Espírito em nossas vidas. Pode ser que este azeite esteja escasso em nossa botija (em nosso coração). Pode ser que, pelas nossas faltas cometidas e não confessadas, o Espírito esteja ocupando um espaço muito pequeno em nossos corações, não cabendo lugar para uma unção capaz de transformar vidas. Urge a limpeza, o preparo do espaço interior para que o Espírito Santo trabalhe e, como vasos limpos e preparados para o uso, devemos receber a unção para a pregação.

Alguns pregadores deixam esta parte para o final do preparo de seus sermões. Acreditamos que esta seja a primeira tarefa do pregador – sua entrega e dependência total aos cuidados de Deus (o mais ele proverá). Mateus 6.33 e João 14.28b.

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Tema: Vida Cristã, Teologia, Homilética Palavras-chave: -, evangelho, pregação, preparo, púlpito-

Características

Número de páginas: 119
Edição: 1(2018)
Formato: A5 148x210
Coloração: Preto e branco
Acabamento: Brochura c/ orelha
Tipo de papel: Offset 75g

Livros com menos de 70 páginas são grampeados; livros com 70 ou mais páginas tem lombada quadrada; livros com 80 ou mais páginas tem texto na lombada.




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